Infantário ou não?

A grande dúvida anda no ar, ou pelo menos na minha cabeça.

Nos primeiros meses optámos por não colocar a G. numa creche. Gerir horários do trabalho e da casa, mãe e pai sempre desencontrados para estar sempre um com a miúda, com avós, tios, primos, etc, todos a quilómetros de distância a dificultar a coisa, foi uma aventura. Se por um lado foi esgotante, sobretudo até Julho, foi gratificante e deixou crescer o desejo já existente de introduzir mudanças significativas na minha vida, sobretudo profissional. Foi uma decisão muito difícil de tomar, foram meses com a dúvida diária, até sentir a coragem necessária para o fazer. Este ano lectivo não me candidatei (ou candidatarei?, não sei em que pé andam as coisas, não tenho acompanhado, afastei-me) novamente ao concurso de sempre. Há já  bastante tempo que tenho uma insatisfação difícil de gerir com as tarefas para as quais o psicólogo é considerado essencial numa escola… Sei que o meu percurso não é continuar infinita (nem finitamente) à espera de um lugar cativo neste sistema educativo, que cada vez mais sinto que serve um sistema económico e muito pouco serve a cada um dos indivíduos que nele participam (talvez um dia me alongue um pouco mais sobre este tópico que cada vez mais me parece que carece de reflexão). Decididamente não foi para isto que estudei psicologia. Parar de trabalhar por uns tempos para reflectir, procurar outros caminhos e ter tempo para ficar com a G. em casa. Uns part-times, uns workshops, quem sabe. Pode ser uma boa oportunidade. Um deles será já em Setembro se tiver adesão.

Sempre fui defensora de que as crianças não beneficiam muito com a ida para o infantário antes dos dois ou três anos. Que é bom poderem ficar com os pais ou avós o máximo de tempo possível, habituarem-se aos ritos e ritmos próprios e da família, antes de se iniciarem em aventuras fora de casa. Nas últimas semanas, depois de regressarmos das férias temos estado os dois com ela em casa e suspeitamos que se aborrece. É verdade que está imenso calor e que não podemos sair para dar um passeio antes da hora em que as sombras ficam muuuuito compridas. Mas acho que ela está farta de só ver pai e mãe o dia todo. Tem imensa energia, explora a casa toda, dentro dos limites que lhe vamos impondo, começou por gatinhar, mas já não lhe chega. Agora põe-se em pé agarrada a qualquer coisa com mais de cinco centímetros de altura e vai por aí fora pondo à prova a resistência da caixa craniana.  Às vezes chora, mas é destemida. Ui. A casa também já não lhe chega e sempre que consegue dirige-se para a porta da rua, deixando bem claros os seus desejos. Adora receber visitas, caras novas, vidas novas, passeios e temporadas fora, em casas novas, com mais caras novas. Um fim de semana ou umas férias fora de casa deixam-na deliciada.

E não sobra tempo para absolutamente nada. Não consigo ler ou escrever mais de vinte minutos seguidos, com pausas de duas horas, no mínimo, pelo meio. Até estes posts carecem, por vezes, de semanas para serem terminados. Mas gosto de tirar tempo para eles, pois vão-me mantendo viva a memória destes meses, uma vez que a minha memória propriamente dita anda uma lástima, com o cansaço e a falta de sono.

Entretanto descobrimos um sítio fantástico, uma creche/infantário pequenino, lindíssimo, com tudo o que poderia sonhar. Muito simples e humilde, com o essencial. Uma turminha, uma educadora, uma auxiliar, ambas com um sorriso e energia contagiantes, uma horta, um jardim e toda uma quinta vizinha para passeios. Visitamos e ficamos com vontade. Vamos experimentar. Aos poucos. Uma hora hoje, outra amanha. Se sentirmos que gosta e que nos sentimos confortáveis, vamos usufruir desta oportunidade, pelo menos uma parte do dia. Senão, voltamos ao plano inicial de mãe a tempo inteiro. Mas a dúvida fica. Infantário ou não?

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