carta aberta

mae_bebe

Sempre que recebo a notícia de mais uns amigos “grávidos” celebro dentro de mim. É estranho, pois não tem nada a ver comigo, não é o meu bebé, provavelmente não o vou ver nos próximos 10 anos, pois os amigos andam espalhados pelo país e mais além e raramente os vejo. No entanto fica esta estranha sensação de os querer saudar nesta passagem para o mundo novo. Ultimamente, e porque vou no meio dos trintas, não são raras as notícias de mais um bebé a caminho. Por isso deixo aqui a minha carta aberta aos novos futuros pais:

Este é um bilhete só de ida. E eu estou feliz na minha intuição de que vão sofrer e amar como não pensaram possível.

Porque esse ser que já habita os vossos ritmos irá derrubar os mais profundos pilares das certezas inquestionáveis. Pois no templo da paternidade, as certezas são como os sapatos. Ficam à porta.

Assim se entra no labirinto do amor livre. À medida que se deparam com toda a impossibilidade de ser mãe/pai, o ego perde  importância e ganha impotência. E o sentido começa desenhar-se. Um filho é um guia, ou um mestre. Reeduca-nos, pois vem cheio de sabedoria e novos ensinamentos. Dá-nos a mão e faz-nos reviver. E ficamos outra vez fascinados com cada pequena (re)descoberta, incrédulos com o quanto nos afastamos do maravilhamento. Por muitas e muitas vezes a cabeça enche-se de perguntas e diálogos internos, o corpo desgasta-se e esgota-se e mesmo assim, não nos ocorre fazer fila no corredor da desistência. Aprendemos a aceitar. E a aceitar a alegria com que isso nos brinda. E essa aceitação com que cada filho nos entranha torna-nos mais condescendentes connosco e com os outros e com isso melhores seres humanos e para lá de humanos. E assim, de coração aberto, fica tudo mais simples. Sofrer e amar.

Porque a forma como somos pais dos nossos filhos tem o poder de transformar o mundo. Porque sei que serão aqueles pais extraordinários, capazes de falhar sempre que possível:

“When we parent we are parenting the world and it’s future” (Robin Grille) – retirado do blog: Lulastic and the hippyshake

É por isso que celebro dentro de mim.

Um grande abraço

 

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9 thoughts on “carta aberta

  1. A Marta ouviu o meu coração e expressou-o nas mais belas palavras.
    A Marta ouviu o pulsar do coração de todas as mães e pais.
    É um texto para guardar.
    Um abraço!
    Ana

    • Obrigada Ana. Fico feliz que o meu coração de mãe bata na mesma frequência que o de outras mães. Estou convicta que sim. E isso faz-me sentir em harmonia com o mundo.

  2. Adorei :) Que ternura ‘Aprendemos a aceitar’ Haverá melhor forma de descrever a maternidade/paternidade? É o que sinto. A aceitar tudo, opiniões diferentes, novas hipóteses, a aceitar felicidade, dores e amores.
    E para terminar ‘Porque a forma como somos pais dos nossos filhos tem o poder de transformar o mundo. Porque sei que serão aqueles pais extraordinários, capazes de falhar sempre que possível’… Não consigo dizer mais nada, está tudo dito.

    beijinhos

  3. Uau Marta! Lindas e intensas palavras. Extraordinariamente foi a 2.ª vez no mês que ouvi alguém a afirmar que os filhos são os nossos Mestres. Começo-me a aperceber o quão verdadeiras são estas palavras. Muito grata pela tua partilha e por abrires o teu coração.

  4. Pingback: Aos novos pais |

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