país, educação, salsicha

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Eu sei que raramente me debruço aqui, no blog, sobre este género de temáticas, aliás, este é o meu cantinho feliz, mas às vezes sou atravessada por uma bala perdida. Geralmente orbito a esfera novelesca em que mergulhou o país, mas hoje tropecei sem querer numa notícia em que o Primeiro Ministro deste rectângulo de terra utilizou a metáfora da “salsicha” para criticar o sistema educativo que é da sua responsabilidade. Terei lido bem?

Quem me conhece bem sabe que vivo com a ferida aberta do sistema educativo. Acredito que é a pérola de uma sociedade madura e responsável. No entanto desencantei-me, magoei-me e desacreditei no sistema educativo ao fim de perto de 8 anos a trabalhar dentro dele. Voltei-lhe as costas. Mas ainda o miro por cima do ombro, de quando em vez…

No entanto, escutar estas palavras desenquadradas, supérfluas, mal medidas, mal pesadas, atiradas ao ar para ver se compõem um cenário de uma peça em que o vilão vira herói, é no mínimo doloroso. Pelos vistos não o será para um político de gema, desses que fazem carreira política, a brincar ao jogo das palavras, e que se lança em declamações como se o público que o escuta fosse tão palerma ou elementar quanto as audiências da assembleia da república que arranca volumosas salvas de palmas a composições metafóricas tão brilhantes quanto a da salsicha.

Detestável, infantil, irresponsável. Lamentável.
Este assassínio da cultura.

(crédito da imagens aqui)

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