escola precisa-se

Nos últimos anos, cada vez mais amigos, pais de crianças a frequentar o 1º ciclo (e outros, professores desse mesmo ciclo), se queixam do trabalho que é exigido aos seus filhos para atingirem os objectivos propostos. Muitos descrevem que os filhos estão ansiosos, cansados e desmotivados. Dores de barriga, dores de cabeça, ou sono, tornaram-se um sintoma comum (e pelos vistos, aceitável) na faixa etária dos 6 aos 10 anos. A juntar a isto, tem disparado o número de figuras públicas que fazem desabafos nas redes sociais. É o caso deste (muito bem escrito) texto da Isabel Saldanha,  entre outros com que me vou cruzando.

Os meus filhos ainda não estão no 1º ciclo. A mais velha reuniria condições para entrar em Setembro, mas como só faz anos em Novembro a matrícula é condicionada (à minha vontade). Por isso, vai manter-se mais um ano afastada do sistema, enquanto eu dou voltas à cabeça sobre o caminho a seguir e tento encontrar/construir uma alternativa saudável para aqueles que me parecem os mais importantes anos da vida escolar. Aqueles em que as metas principais devem ser: autonomia de trabalho, respeito por si próprio, amor pelo conhecimento, criatividade sem limites. Acho que nenhuma destas consta das metas do 1º ciclo…

Hoje, através deste post d’ O Rei vai Nu tomei conhecimento desta petição: Alteração das metas curriculares do 1.º ciclo, proposta pela Vânia Azinheira, uma mãe de uma menina no 2º ano.

Embora não acredite que a solução passe por uma mera alteração de metas, não posso deixar de assinar e divulgar, pois é, no mínimo, um pequeno passo para devolvermos a infância às nossas crianças.

Contudo, não posso deixar de sonhar com uma reforma de fundo, adequada ao século XXI e às crianças dos dias de hoje que serão os adultos de um futuro muito diferente do que vivemos hoje, como as propostas na Finlândia, ou em França e Espanha, exactamente no sentido oposto à visão de Nuno Crato (ou melhor dizendo, à falta de visão).

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8 thoughts on “escola precisa-se

  1. Olá,
    este post não posso deixar de comentar.. Sim, uma nova Escola precisa-se, toda ela nova. Às vezes, quando me bate a nostalgia, lembro-me de das vivências na minha escola primária (pequena, com 3 turmas, uma professora primária de bata branca e um quadro de giz) que provavelmente os miúdos desta geração não virão a ter. Digo a escola, como um sítio calmo, onde se brinca e se aprende, mas sem a pressão enorme destes dias.
    Estou no último ano para terminar a licenciatura para ser professora primária, e dentro do meio académico, as queixas são.. bom, são.. muitas, para não dizer constantes, inúmeras, vastas e tudo mais. Os nossos professores (os que já viveram muitas épocas, muitos governos) queixam-se que o ensino está a viver uma época infeliz. Incitam-nos a manter a esperança em nós e fazermos o que acreditamos ser melhor.
    Enquanto professora, tenho um pouco receio do que aí vem, receio de não haver margem de manobra suficiente para educar/ensinar em harmonia. Vamos ver..
    Enquanto mãe, para mim sempre foi claro claríssimo, tão certo como o céu se mostrar azul, que eu não quero que os meus filhos frequentem o ensino público. Acho que nem preciso de falar nas razões, pois foram as que falas-te. Mas também sei que às vezes também se pode ter sorte com o professor, sorte com o agrupamento, com o grupo de pais, e a situação não ser tão… difícil.
    Bom, boa sorte, talvez existam mais mães que queiram iniciar um projeto novo na zona.
    Força,
    Maria

    • Olá Maria,
      muito obrigada pelo comentário. É tão bom ouvir quem nos lê desse lado! Não conhecia o Amor e Cenouras e já estou apaixonada. Aliás, para a semana a brincadeira vai ser aspirar o carro, tarefa “aborrecente” que estou a adiar desde a Páscoa….
      Desejo-te uma boa recta final na licenciatura e espero que em breve algumas crianças tenham a sorte de te ter como professora.

      Há sempre mais umas quantas mães/pais com as mesmas dúvidas que nós, quem sabe damos o salto e agarramos a educação com mãos fortes e generosas. Pessoalmente, não quero ficar à mercê da sorte, não me parece justo para as crianças andarem a saltitar de sorte em sorte, até encontrarem a sua. A minha memória da escola primária não é propriamente risonha (ainda apanhei uma professora à moda antiga – mesmo!) e quero que seja muito diferente com os meus pequenos :)
      Beijinhos

  2. Pois precisa!!!
    Há uns anos que a corrida de obstáculos (em que a escola se transformou) só se vivia no ensino secundário e, essencialmente, no 12ºano.
    Agora começa a viver-se no 1ºano, quando as crianças deviam aprender na escola, mas também brincar… muito.
    Eu penso que a escola está a sofrer estes tristes sinais dos tempos: não há reformas sérias nem bem intencionadas, infelizmente: temos, sobretudo, de responder e atingir números.
    Por outro lado, há a obsessão dos resultados quantificáveis, quando grande parte das tuas importantíssimas metas “autonomia de trabalho, respeito por si próprio, amor pelo conhecimento, criatividade sem limites.” não são mensuráveis, mas são essenciais para um futuro cidadão e ser humano feliz.
    Por fim, a escola pública não é muito diferente do particular (e falo com experiência de Mãe e Professora), a não ser que seja uma escola particular com um projecto completamente alternativo: são raríssimas. Os colégios particulares mais falados continuam com a mesma obsessão das notas e de um bom lugar no raking, custe o que custar! Sinceramente, não me convencem…
    De resto, é tentarmos dar o nosso melhor como pais e acreditarmos que os nossos filhos vão encontrar muitos professores que vão contra a corrente e lhe mostram o lado bom do Conhecimento.
    Oxalá consigamos!

    • Absolutamente de acordo.
      E sim, a resposta não está nos colégios privados. Está nos projectos pequenos, à escala humana, criados em função das características dos seus participantes e do contexto onde se inserem. A massificação nunca serviu a educação. Serviu a industrialização. E o indivíduo não é uma peça de maquinaria.

  3. Entendo tão bem estas preocupações. Quando soube que estava grávida a primeira coisa em que pensei foi: Meu Deus, o meu bebé vai ter de ir de enfrentar este sistema de ensino!
    Uma ex-colega de trabalho falou-me de uma alternativa ao sistema de ensino público e privado e é esse caminho que iremos trilhar. Pelo menos no primeiro ciclo. Não ficaria descansada com a minha consciência se mandasse a minha filha para esta escola que tanto terror me causa.
    Bom seria que o dia de amanhã trouxesse uma escola como a da Ponte ou idêntica às da Finlândia. A esperança é a última a morrer.

    • :) exacto, é o que tenho dito algumas vezes. Não faz muito sentido que eu tenha “fugido” do sistema de ensino enquanto profissional e venha agora achar que é suficientemente bom para os meus filhos. Eu acredito num sistema público de ensino, ou seja, acredito que o ensino deve ser público, mas não acredito neste sistema. E espero que todos estes projectos alternativos que estão a nascer, um pouco por todo o país (todos os dias me surpreendo com mais um que descubro), venham provar que um outro caminho é possível, possam apontar soluções, inspirar e transformar a educação que temos. É o princípio da revolução, daqueles que se atreveram a pôr um travão e a dizer que assim como está não pode continuar. Quem sabe um dia esta revolução chega ao sistema e todas as crianças possam usufruir das suas mudanças.

  4. Mesmo não sendo Mãe esta nova escola revolta-me as entranhas. Como é possível? Esta nova escola roça o abuso. Queremos crianças felizes não crianças ansiosas, com medo ou apavoradas. Quero que os meus futuros filhos abracem desafios e que sejam pensadores críticos. Sou uma revoltada com esta situação.

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