da qualidade de ensinar

No dia em que se sabe que mais de 50% dos professores contratados chumbaram no exame de Português e Física e Química (o que não deixa de ser preocupante, mas não me parece o cerne da questão) pergunto-me, o que são bons professores? Como são avaliados?

Muitos dos meus melhores professores não eram enciclopédicos. Eram só boas pessoas, seres humanos com uma grande facilidade de relacionamento, de compreensão do ponto de vista do outro, de entusiasmo pela vida e uma boa dose de sonho. Os mais enciclopédicos eram por vezes tão intangíveis que tendiam a fazer-me sentir imbecil e inqualificada, desmotivada e desinteressada (a melhor forma de defesa, é a fuga).

E agora, quais as consequências desta peneira de professores?

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9 thoughts on “da qualidade de ensinar

  1. Subscrevo!
    E acho que uma análise psicológica era bem vinda (a todos os professores e a todos os profissionais que se relacionem com os outros)!
    Estou a incluir-me, obviamente ;-)

    • Verdade Ana. E como o faríamos, é que eu me questiono. É tão complexo este nosso mega-sistema…
      Até porque a qualidade do trabalho em equipa é, cada vez mais, fundamental nas escolas. Mas a maioria dos professores não “cresceu” habituado a esse sistema e muitas vezes confundem trabalho de equipa com sentarem-se à mesa e fazerem umas reuniões que deixam papéis com “coisas” escritas….

  2. Um tema sem dúvida premente de reflectir. Concordo contigo, os melhores professores que tive eram muito bons em termos de conhecimentos, mas recordo-os essencialmente pela dedicação aos alunos e preocupação pelo futuro dos mesmos. Beijinho

  3. Ainda no sábado tive esta conversa num almoço. Para mim um bom professor é aquele que ajuda o aluno a desenvolver as suas potencialidades. O resto vem por acréscimo.

    • Eu também acredito nisso, com muita força. E essa é a forma menos frequente de se ser professor.
      Mas até percebo a dificuldade. Imagina o que é acreditares nos teus alunos e achares que eles vão lá chegar sozinhos, a seu ritmo, a seu tempo, mas depois teres de enfrentar uma lista de exames nacionais (se não me engano agora começam logo no 2º ano de escolaridade – corrijam-me os profissionais que andam por aí) que vão “provar” que não andas a fazer bem o teu trabalho? Que isso de lhes dares ferramentas para se autonomizarem ao seu ritmo é apenas ser mau professor?

      • Concordo que o problema está neste novo “olhar” sobre a educação. A forma como as coisas estão não deixam quer os professores ensinar, quer os miúdos aprender. E é mau para os dois. A forma como, quer professores, quer alunos são avaliados é errada. Não avaliados apenas pelos “conhecimento” a metro que os alunos adquirem. Não há espaço para que eles aprendam a pensar criticamente sobre o que aprendem. E para com os professores é ingrato o trabalho ser avaliado desta forma. Mas também não posso esquecer, os poucos professores que tive que foram muito maus professores. Professores que me fizeram odiar disciplinas como o francês, e a matemática. Foram poucos comparativamente com os professores bons que tive, mas eles existem.

    • Se eu te contasse sobre a minha professora primária, soaria a qualquer coisa como estado novo, mas não era. Eram os modernos 80’s. A coisa andava à lei da régua e da chapada. Cada falta de trabalho de casa dava direito a febre e vómitos… Assim que entrei no 2º ciclo abandonei os TPC’s. Não nos batiam se não fizessemos :D
      Retomei o gosto pela escola (aprendizagem, estudo, resultados, investimento, digamos) no secundário. Mas até lá foram 5 anos à deriva na boa sorte de apanhar facilmente tudo só com meia orelha. Detesto maus professores.

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